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FENIX:

O Museu em Roterdã que Ressignifica a Migração Através da Arte.

FENIX:

Foto do site Fenix Museu em Roterdã.

Inaugurado ontem, 16 de maio de 2025, o FENIX abre suas portas em Roterdã como o primeiro museu de arte contemporânea no mundo inteiramente dedicado ao tema da migração. Instalado no antigo galpão portuário de Katendrecht — o maior armazém do mundo em 1923 e ponto de partida para milhões de europeus rumo às Américas — o FENIX ocupa um território simbólico. Não por acaso, este espaço agora se transforma em um epicentro de reflexão sobre as jornadas humanas que moldaram e ainda moldam o mundo.

A escultura que se move: arte em espiral

O elemento arquitetônico mais marcante do museu é o “Tornado”, uma escada dupla em espiral projetada por Ma Yansong, do estúdio MAD Architects. Com 336 degraus que se entrelaçam até os 30 metros de altura, ela conecta o solo do antigo armazém a um mirante com vista para o movimentado porto de Roterdã. É arte, arquitetura e metáfora: o Tornado traduz em forma e movimento o turbilhão de emoções, direções e transformações que definem a experiência da migração.

Exposição inaugural: All Directions

A mostra de abertura, All Directions, reúne mais de 150 obras de artistas consagrados como Steve McQueen, Yinka Shonibare, Bill Viola e Kimsooja. A exposição percorre os dilemas do deslocamento, do pertencimento e da identidade, sem cair na armadilha da vitimização. Um trecho do Muro de Berlim, passaportes de apátridas e instalações interativas como o “Labirinto de Malas” — composto por 2.000 bagagens doadas por migrantes reais, cada uma com sua história — convidam o visitante a percorrer não só os caminhos da arte, mas também os da empatia.

Espaço vivo, praça do encontro

O FENIX não é apenas contemplativo. No coração do museu, o “Plein” — uma praça coberta de 1.000 m² — serve como ponto de encontro para eventos comunitários, oficinas, aulas e apresentações. Em uma cidade com mais de 170 nacionalidades, o museu se propõe a ser uma casa comum, onde diversidade não é apenas um dado, mas uma prática cotidiana.

Um contraponto necessário

Em tempos de discursos polarizados e políticas antimigratórias em ascensão na Europa, o FENIX surge como resposta poética e política. Ao contar as histórias da migração sob múltiplas óticas — com beleza, crítica e afeto —, o museu resgata a humanidade por trás dos números e reafirma a arte como ponte entre mundos.

Roterdã, porto de partidas e chegadas, agora abriga também um porto de memórias, de sentidos e de possibilidades futuras. Que esse seja apenas o começo de uma nova onda: a da escuta, da inclusão e da beleza que nasce do encontro.

Valéria Monteiro.
Jornalista, fundadora do site valeriamonteiro.com.br
e ex-âncora da TV Globo e Bloomberg.
11 de ago. de 2025
FENIX: O Museu em Roterdã que Ressignifica a Migração Através da Arte

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