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No Ar

A história do mundo bate um bolão.

Em Que Copa é Essa?, o SporTV usa o futebol para contar algo maior: como diferentes gerações passaram a enxergar a si mesmas, seus países e seu tempo.

19.06.26

Quem Garante o Garantidor.

Num ano de eleição, o caso Master condensa a pergunta que nenhuma urna responde: quem protege a sociedade quando a regra é escrita — e aplicada — por quem se beneficia dela?

18.06.26

Senso Público.
O ditado acertou. Só não previu que a mamata teria passaporte.

O governo que promoveu os cortes mais agudos na Lei Rouanet foi também o que produziu o escárnio. Em abril de 2019, a gestão Bolsonaro derrubou o teto de captação por projeto de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão (https://jornal.usp.br/cultura/mudancas-na-lei-rouanet-sao-positivas-mas-deixam-pontas-soltas/ ); em fevereiro de 2022, uma nova instrução normativa baixou ainda mais esses valores e fixou teto para os cachês dos artistas (https://exame.com/brasil/governo-bolsonaro-oficializa-serie-de-mudancas-na-lei-rouanet-entenda/ ).

17.06.26

Seus Amigos e Vizinhos.

A série aposta que você vai perdoar quase tudo a um homem bonito o suficiente. O desconfortável é que você perdoa.

Reparei numa coisa vendo Seus Amigos e Vizinhos, e ela não me largou: o vilão clássico a gente costuma reconhecer — há quase sempre um sinal, um ar, às vezes a própria aparência, dizendo de quem desconfiar. Esta série faz o oposto. Dá aos criminosos o charme que a convenção reservava ao mocinho.

10.06.26

1,19%.
É quanto o Brasil investe em ciência — e patina nisso há décadas.

A Coreia do Sul investe mais de quatro vezes esse tanto, e a distância entre os dois números é a distância entre dois futuros.

Um vírgula dezenove por cento. É a fração do que o país produz que ele dedica a inventar o que vai produzir amanhã — a pesquisar, a formar cientista, a descobrir. O número parece técnico, daqueles que passam num rodapé de orçamento, e talvez seja por isso que ele nunca vira manchete. Mas ele não é técnico. É uma escolha de civilização disfarçada de linha de planilha. E o Brasil a faz, com pequenas variações, há décadas: gastar em conhecimento menos da metade do que gasta o mundo em média, e quase um quinto do que gastam os países que decidiram, em algum momento, que o futuro se planta.

09.06.26

Quem Segura a Caneta.

Demitir, processar, calar pela antecipação: o que a guerra de Trump contra a imprensa ensina ao Brasil sobre soberania.

Há três maneiras de calar uma redação, e a mais barata nunca precisa dar a ordem. A primeira é demitir. A segunda é processar. A terceira, a que dispensa as duas, é fazer com que o jornalista deixe de perguntar sozinho, antecipando o custo da pergunta antes de abri-la. Os Estados Unidos passaram o último ano exibindo as três. O Brasil conhece todas de cor. E a história recente das duas imprensas, lida lado a lado, diz algo que o leitor brasileiro precisa ouvir agora, no ano de uma eleição: imprensa livre não é luxo de democracia madura. É infraestrutura de soberania. Quem perde o controle do que se publica perde, antes de tudo, o controle de como se narra a si mesmo.

04.06.26

Margo está em apuros (Margo’s Got Money Troubles).

O que faz uma jovem mãe quando o único trabalho que paga as contas é o que todos condenam?

Apple TV+ · criação de David E. Kelley · 8 episódios

Margo Millet tem 20 anos, estuda e engravida depois de um caso com o professor casado. Decide ter o bebê. Demitida, sem dinheiro e sem o pai por perto, recorre ao OnlyFans — e aplica ali, com ironia deliciosa, as lições de palco do próprio pai, um ex-lutador profissional. A premissa parece improvável e é justamente esse atrito entre o absurdo e o terno que dá o tom: uma comédia dramática que mistura graça, ternura e desconforto sem suavizar nenhum dos três.

03.06.26

Entregamos a chave e fingimos espanto.

Os EUA chamaram o PCC e o Comando Vermelho de terroristas. Passei a semana ouvindo os dois lados gritarem — e nenhum deles falando do que importa.

Confesso o que sinto antes de dizer o que penso, porque em Em Voz Alta é assim que funciona. Quando vi Marco Rubio assinar o papel que declara o PCC e o Comando Vermelho organizações terroristas, não senti alívio nem indignação. Senti vergonha. A vergonha de um país que precisou de um secretário de Estado americano para dizer, em inglês, o nome do monstro que mora na nossa esquina.

29.05.26

A arquitetura invisível do início da vida.
O que a ciência revela — e a cultura ainda resiste em reconhecer.​​

Há uma ideia persistente sobre o início da vida: a de que tudo começa com o bebê.

A ciência sugere outra coisa.

O desenvolvimento cerebral do bebê não começa isoladamente. Ele emerge em um ambiente biológico fortemente influenciado — entre outros fatores — pelo estado físico, emocional e mental da mãe, especialmente durante a gestação e os primeiros meses de vida, como vem mostrando uma literatura crescente em neurodesenvolvimento e saúde perinatal.

E esse ambiente não é estático.

06.05.26

A vaga, a pressão e a conta que não fecha.
Quando a representatividade vira instrumento de chantagem, ela deixa de ser direito e vira moeda — e o eleitor lê a diferença.

Há um cálculo cínico em curso no Palácio do Planalto, e ele atende por estratégia.

Depois da derrota histórica de 29 de outubro — a primeira rejeição de um nome ao Supremo em 132 anos, com 42 votos contra Jorge Messias —, uma ala do governo passou a sustentar, pelos jornais, que o presidente deveria escolher uma mulher negra para a vaga aberta por Luís Roberto Barroso. Não por convicção.

05.05.26

O medo que vota.

Em todo ciclo eleitoral, a segurança pública é a maior preocupação do brasileiro — e o tema em que a democracia mais se deixa seduzir por respostas falsas.

05.05.26

Trabalhar não pode significar sumir.

O debate sobre o 6x1 expôs uma exaustão real. Mas o problema do trabalho no Brasil já ultrapassou a escala e passou a atingir tempo, renda, subjetividade e futuro.

01.05.26

A água que nos atravessa.

Um estudo publicado este mês mostra que trinta e um agrotóxicos considerados seguros, juntos, mais que dobram o risco de câncer.

Desde 2024, o Brasil opera sob uma lei que afrouxou justamente o critério que protegia sua população desse risco.

28.04.26

Chernobyl, quarenta anos depois:
A ferida que não fecha.

No dia 26 de abril de 1986, à 1h23 da madrugada, um teste de segurança mal executado no reator nº 4 da Usina Nuclear de Chernobyl, no norte da então República Socialista Soviética da Ucrânia, provocou duas explosões sucessivas. A primeira, de vapor, rasgou o teto do reator.

26.04.26

Marty Supreme.
Uma vitória que não resolve nada.

Há filmes que contam uma história. E há filmes que te colocam dentro de um estado. Marty Supreme pertence claramente à segunda categoria.

Durante quase duas horas e meia, o filme não dá respiro.

25.04.26

O custo de vida corrói mais do que o bolso.

Endividamento, comida cara, lazer comprimido e insegurança já reorganizaram a vida cotidiana — e exigem da política menos superioridade analítica e mais seriedade humana.

24.04.26

Sobre jazidas e poder.
Notas sobre terras raras, captura de valor e o padrão que o Brasil insiste em repetir.

Há uma pergunta que ainda não entrou, com a densidade necessária, no debate

brasileiro sobre terras raras. Ela não é técnica. Não é ideológica. É anterior a qualquer

uma dessas camadas.

Quem captura o valor?

Não quem tem o recurso. Não quem extrai. Não quem exporta. Quem fica, ao final da

cadeia, com o lucro, a tecnologia, o poder de decisão e a posição estratégica.

22.04.26

Segurança pública não é palanque.
Se a eleição quiser ser séria, precisa parar de tratar medo como performance e começar a discutir capacidade real de Estado.

No Brasil, segurança pública costuma entrar na eleição pelo pior lugar possível: o da encenação.

Entra como frase de efeito. Como promessa inflamada. Como exibição de dureza. Como demonstração performática de virilidade política. Fala-se alto, ameaça-se muito, simplifica-se tudo. E, no meio desse teatro previsível, a pergunta que realmente importa quase nunca recebe resposta: quem sabe, de fato, fazer o Estado funcionar diante do crime?

17.04.26

O Secretário de Guerra e os Fariseus.
Como Pete Hegseth transformou o púlpito do Pentágono em teologia de combate contra a imprensa.

Pete Hegseth terminou seu briefing de guerra desta manhã sem análise estratégica, sem números de baixas, sem avaliação do impasse no Estreito de Ormuz. Terminou com um sermão.

E não metaforicamente.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos — que já chegou a se referir ao próprio Departamento de Defesa como “Departamento de Guerra” — contou aos jornalistas presentes no Pentágono que, no domingo anterior, estava sentado na igreja com a família quando o pastor pregou a partir do capítulo 3 do Evangelho de Marcos. Jesus entra numa sinagoga. Cura um homem. Os fariseus observam, tomam notas, buscam o erro.

16.04.26

Uma joia de lixo.
Do descarte ao desejo: designers reinventam o valor a partir do que desapareceria.

Chamar de “lixo” talvez seja apenas uma forma rápida de encerrar a história de um material. Alguns designers decidiram reabrir essa história — e o que encontram ali não é descarte, mas potencial.

O luxo sempre soube contar histórias. Durante décadas, contou a da raridade: pedras difíceis de encontrar, metais extraídos em condições extremas, cadeias produtivas longas e, muitas vezes, opacas.

Agora, outra narrativa começa a ganhar forma — e textura.

15.04.26

Quem decide o que é perigoso?
A Anthropic e a nova fronteira do poder tecnológico.

Duas decisões. Uma mesma empresa. E uma tensão que merece ser examinada sem pressa.

A primeira aconteceu esta semana. A Anthropic anunciou o Claude Mythos Preview — descrito internamente como o modelo mais poderoso que a empresa já desenvolveu. Não foi treinado especificamente para cibersegurança: suas capacidades emergiram de melhorias gerais em raciocínio e programação. Mas o resultado é inédito. Nos testes, o modelo identificou milhares de vulnerabilidades críticas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores do mundo — algumas com décadas de existência, incluindo uma falha de 27 anos no OpenBSD, sistema operacional conhecido justamente por sua robustez em segurança. Em muitos casos, o Mythos não apenas encontrou a vulnerabilidade: desenvolveu automaticamente um exploit funcional para explorá-la. No teste mais documentado publicamente, contra o motor JavaScript do Firefox, o modelo produziu exploits funcionais em 72% das tentativas — comparado a menos de 1% do modelo anterior da Anthropic. O desempenho varia por contexto: no kernel do Linux, o modelo encontrou múltiplas vulnerabilidades, mas não conseguiu explorá-las de forma autônoma, dadas as camadas de proteção do sistema.

14.04.26

Orbán cai — e, com ele, a ideia de que certos líderes não caem.
A derrota na Hungria expõe os limites do poder político em rede e abre uma interrogação sobre a durabilidade dos projetos autoritários de longa duração.

Não foi apenas uma eleição.

Foi o colapso de uma das narrativas mais influentes da política contemporânea: a de que líderes autoritários consolidados tornam-se, com o tempo, estruturalmente irremovíveis.

Viktor Orbán governou a Hungria por 16 anos. Desmontou instituições, capturou o judiciário, reescreveu a constituição, esvaziou a imprensa independente e construiu um sistema eleitoral que favorecia sistematicamente sua permanência. Fez isso com respaldo popular, legitimidade eleitoral formal e crescente prestígio internacional na direita global. Era, para muitos, o modelo acabado de uma autocracia funcional dentro de uma democracia liberal.

13.04.26

A Presidência ainda é imaginada no masculino.
Por Valéria Monteiro.

O problema não é apenas quantas mulheres aparecem na disputa, mas o que a dificuldade de normalizá-las
no centro do poder revela sobre a imaginação política brasileira.
Em ano eleitoral, o Brasil volta a fazer uma coisa que conhece bem: reorganizar o futuro em torno de nomes
masculinos como se isso fosse apenas um dado objetivo — e não também o sintoma de um hábito profundo.
As alianças se movem, os cálculos se rearranjam, o ruído cresce.
E quase tudo retorna, com excessiva naturalidade, ao mesmo eixo de autoridade. O que impressiona não é apenas a escassez de mulheres no centro competitivo da disputa presidencial. É a serenidade com que essa escassez continua sendo absorvida.

10.04.26

Olhos humanos no limite do espaço.

Por que, na era dos sensores perfeitos, a Artemis II acaba de reafirmar a importância do sistema mais antigo — e ainda insubstituível — de observação: o cérebro e os olhos humanos.
Há um paradoxo silencioso no coração da exploração espacial contemporânea. Quanto mais avançam os sensores, as câmeras de altíssima resolução e os sistemas automatizados, mais a NASA insiste em algo quase primitivo: levar pessoas.
A Artemis II acaba de entrar para a história ao levar astronautas mais longe da Terra do que qualquer missão tripulada já registrada — superando um marco que permanecia desde a Apollo 13.

07.04.26

O vídeo que publiquei na última terça-feira não foi um desabafo isolado.
Foi o início de uma posição.

Não estarei na disputa presidencial.
Mas estarei, sim, na disputa pelo nível desta eleição.
Sem legenda, não sou candidata. Mas me recuso a aceitar que isso me empurre para a plateia, justamente num momento em que o Brasil mais precisa de clareza, responsabilidade e seriedade.
Quero usar este ano para ajudar a recolocar o Brasil real no centro da conversa nacional.

06.04.26

O Brasil não está normal.
O que falta ao país não é opinião. É nitidez.

Este texto não nasce de um rito.
Nasce de um incômodo.
Nasce da recusa em aceitar como normal a exaustão, a mentira, a brutalidade e a degradação do debate público.
Antes de qualquer definição formal, existe um ponto de partida: o Brasil precisa voltar a encarar a realidade.
O Brasil não está normal.

31.03.26

A guerra contra o clima.
Do Irã à Ucrânia, os conflitos armados contaminam ecossistemas, ampliam emissões e afastam o mundo das metas de Paris.

A guerra quase sempre é narrada do modo que os Estados preferem narrá-la: em mapas, mísseis, fronteiras, barris de petróleo e doutrinas de segurança. É uma linguagem de poder, controle e estratégia. Mas existe uma outra contabilidade em curso, menos visível e nem por isso menos decisiva. Ela mede o ar que se torna mais sujo, a água que deixa de ser potável, o solo que absorve toxinas, os campos que deixam de produzir, as florestas que queimam e o carbono extra que sobe à atmosfera enquanto governos falam em estabilidade.

24.03.26

O Homem dos Sonhos:
Fama, constrangimento e o colapso da intimidade.

Nicolas Cage estrela um filme estranho e perspicaz sobre o que acontece quando a imagem de alguém passa a pertencer aos outros.
Em O Homem dos Sonhos, um homem comum se torna impossível de ignorar. Paul Matthews, professor universitário sem prestígio especial, sem carisma evidente e sem qualquer traço de excepcionalidade, começa a aparecer nos sonhos de desconhecidos. A premissa é absurda, mas o filme não a trata como piada. Usa esse desvio para observar algo bastante real: a facilidade com que alguém pode virar fenômeno, assunto e incômodo coletivo sem ter feito quase nada para isso. O filme é dirigido por Kristoffer Borgli e estrelado por Nicolas Cage. 

22.03.26

Epigenética:
Por que o DNA não basta.

A descoberta do código genético mudou a ciência — mas não foi suficiente, sozinha, para explicar quem somos.
Durante décadas, parecia que a ciência estava cada vez mais perto de uma resposta definitiva.
Quando a estrutura do DNA foi revelada em 1953, a sensação era de que o segredo da vida começava enfim a se abrir. A dupla hélice não era apenas uma descoberta elegante da biologia: ela ajudava a explicar como a informação hereditária podia ser copiada e transmitida. Meio século depois, o Projeto Genoma Humano, lançado em 1990 e concluído em abril de 2003, ampliou ainda mais essa promessa ao entregar a primeira sequência do genoma humano.

21.03.26

Cuba no escuro — e a nova linguagem do poder:
Não é a Faixa de Gaza. Mas a lógica começa a ecoar.

Cuba está no escuro.
E, pela primeira vez em décadas, alguém em Washington falou em “ter a honra de tomar” a ilha.
Não como metáfora.
Não como eco distante da Guerra Fria.
Mas como possibilidade.
Foi assim que Donald Trump descreveu Cuba — afirmando que os Estados Unidos poderiam ter a “honra de tomar Cuba” e que poderia fazer “o que quisesse” com ela.

18.03.26

O caso Banco Master e a pergunta que ninguém quer responder:
De onde veio o dinheiro?

Todo banco começa com capital.
A pergunta é quem colocou o primeiro.
Todo banco começa com uma pergunta simples feita pelo regulador:
de onde vem o capital?
Não é uma pergunta filosófica.
É a base do sistema financeiro.
Antes de qualquer produto.
Antes de qualquer cliente.
Antes de qualquer promessa de rentabilidade.
Um banco precisa de dinheiro.
Dinheiro suficiente para existir.

17.03.26

O que um agente secreto faz quando ninguém está olhando?
“O Agente Secreto” transforma silêncio, memória e suspeita em atmosfera cinematográfica.

Há filmes que contam uma história.

E há filmes que criam uma sensação.
Filmes que não dependem de reviravoltas constantes nem de grandes cenas de ação, mas de algo mais difícil de construir: um estado de atenção.
Foi exatamente essa sensação que tive assistindo O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura.

16.03.26

Depois do Dia da Mulher.
A pergunta que fica para os homens.

No dia 8 de março, o mundo inteiro fala sobre mulheres.

As redes sociais se enchem de homenagens.
Flores aparecem nas mesas.
Frases celebram força, coragem, resiliência.

09.03.26

8 de março: não somos invencíveis — e é exatamente por isso que precisamos umas das outras

Existe uma narrativa confortável sobre as mulheres.

A de que somos fortes.
Resilientes.
Capazes de tudo.

E somos.

Mas há uma parte dessa história que raramente dizemos em voz alta:
também somos vulneráveis.

E não há vergonha nisso.

07.03.26

O Sacrifício Definitivo.
Com Lula em empate técnico no segundo turno, desistir seria fraqueza — ou estratégia histórica?

As pesquisas mais recentes apontam um dado que muda o tom da eleição de 2026:
Luiz Inácio Lula da Silva aparece em empate técnico no segundo turno não apenas contra Flávio Bolsonaro, herdeiro direto do bolsonarismo, mas também contra Ratinho Júnior, nome da centro-direita com perfil mais administrativo.

04.03.26

A regeneração que o Brasil precisa decidir.
A descoberta de Tatiana Coelho de Sampaio é um avanço científico — mas também um teste de maturidade do Estado.

Quando uma pesquisadora brasileira desenvolve uma abordagem promissora para regeneração da medula espinhal, o fato ultrapassa o campo científico.
Ele se torna um marcador de capacidade nacional.
A pesquisa liderada por Tatiana Coelho de Sampaio, centrada na polilaminina — molécula projetada para estimular a reconexão de neurônios após lesões graves — insere o Brasil em uma das fronteiras mais complexas da medicina contemporânea: a neuroregeneração.

27.02.26

Pesquisas, mente coletiva e o segundo turno que começa antes da urna.

Pesquisas, mente coletiva e o segundo turno que começa antes da urna.

Por Valéria Monteiro.

​A divulgação de cenários de segundo turno pela AtlasIntel não é apenas um evento estatístico. É um acontecimento psicológico.
E eleições são fenômenos de comportamento coletivo.
A pergunta não é apenas “quem ganha de quem”.
É: o que acontece na mente do eleitor quando ele vê esses números?

26.02.26

Ano do Cavalo 2026.
O que o Ano do Cavalo significa para leitores ocidentais.

Para quem cresceu sob o calendário gregoriano, a ideia de que um ano carrega a energia simbólica de um animal pode soar folclórica. Mas o ciclo do zodíaco chinês — celebrado no início do Ano Novo Chinês — organiza tempo, expectativa e comportamento coletivo há milênios na Ásia.
 

Em 2026, entramos no Ano do Cavalo de Fogo — uma das combinações mais intensas do ciclo.

18.02.26

Democracia em Cena:
Quem controla o palco controla a disputa.

O Brasil aprendeu a punir o uso explícito da máquina pública como palanque eleitoral.
O que ainda não resolveu é algo mais sofisticado: o uso do espetáculo como vantagem política.
Em 2022, atos do 7 de Setembro sob o governo de Jair Bolsonaro foram analisados pelo Tribunal Superior Eleitoral dentro de um conjunto mais amplo de condutas que levaram à sua inelegibilidade. A mensagem institucional foi clara: eventos oficiais do Estado não podem ser instrumentalizados para fins eleitorais.
Quando o aparato público entra em cena, a Justiça reage.
Mas a política contemporânea não vive apenas de palanques oficiais. Vive de imagem.

17.02.26

Transparência não é opcional:
Poder, imprensa e o limite da narrativa no caso Maridt–Tayayá.

O caso envolvendo a Maridt Participações S.A., sua participação no Tayayá Resort e o vínculo societário reconhecido por Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal**, não é apenas uma controvérsia empresarial.
É um teste institucional.
E testes institucionais medem mais do que legalidade — medem maturidade democrática.

13.02.26

Poder Protegido, Dano Exposto.

A nova leva de documentos do caso Epstein não é apenas um repositório de escândalos. Ela funciona como um espelho incômodo de como o poder ainda opera — e de como sabe se proteger.
Nos arquivos, repete-se um padrão conhecido. Figuras poderosas aparecem diluídas por cautela jurídica, eufemismos ou silêncio, enquanto as vítimas são expostas em detalhes perturbadores. Idades, fragilidades, deslocamentos e histórias íntimas surgem com nitidez. Essa assimetria não é acidental.

É estrutural.

06.02.26

A pressa que empobrece as palavras — e o pensamento.
“Magina.”

A palavra surge em mensagens rápidas, atravessa conversas digitais e, cada vez mais, aparece onde antes se esperava algum cuidado: e-mails, comunicados, textos profissionais. Não se trata de um erro ortográfico isolado, nem de uma simples gíria passageira. É um indício cultural.
“Magina” lembra aqueles carros que nos ultrapassam com urgência teatral, aceleram, costuram o trânsito — apenas para parar no semáforo seguinte, dois segundos depois. Não chegaram antes. Não ganharam tempo. Apenas tornaram visível a pressa.

04.02.26

Código de ética para o STF? Ou falta de ética em geral?

Sempre que o comportamento de uma instituição passa a causar desconforto público, surge a mesma solução mágica: criar um novo código. Agora, discute-se a necessidade de um código de ética específico para o Supremo Tribunal Federal. A pergunta que se impõe não é apenas jurídica — é moral.

Ministros do STF já não estão submetidos à Constituição, à Lei Orgânica da Magistratura e a deveres funcionais claros? Estão. Então por que a sensação de que algo falta?

03.02.26

Caetano Veloso e Maria Bethânia:
Um Grammy e a permanência da música brasileira.

O reconhecimento do Grammy Latino ao projeto Caetano & Bethânia ao vivo insere-se em uma trajetória consolidada da música brasileira no cenário internacional.
O prêmio não representa um ponto isolado, mas a continuidade de um diálogo iniciado há décadas, sustentado por identidade estética, elaboração musical e consistência artística.

02.02.26

Da persuasão ao constrangimento:
Groenlândia, tarifas e a política da coerção.

Durante décadas, a política externa das grandes potências operou sob uma tensão permanente entre força e persuasão. Mesmo quando assimétrica, a diplomacia preservava ao menos a forma do convencimento: alianças eram negociadas, pressões eram disfarçadas, e a coerção raramente se apresentava como método declarado. O que se observa agora, sob Donald Trump, é uma inflexão mais profunda: a substituição progressiva da persuasão pelo constrangimento explícito como linguagem do poder.

19.01.26

Quem pode agir, age:
Quem não pode, observa.

Soberania, poder e a política incômoda dos precedentes.
 
Este texto não se ocupa da defesa de Nicolás Maduro, nem da relativização do caráter autoritário do regime venezuelano. Esses fatos estão amplamente estabelecidos.
 
O que está em jogo é mais amplo — e mais consequente: quem decide quando a soberania deixa de valer, com que autoridade e a serviço de quais interesses.

04.01.26

Feliz Ano Novo, 2026!

Se 2025 foi aquele livro que você leu de cabeça para baixo, prepare-se: 2026 promete capítulos inesperados.

Antes de qualquer coisa, meu muito obrigada.
A quem se inscreveu, a quem segue, a quem comenta, compartilha e acompanha — o prestígio da sua atenção é o que dá sentido a tudo isso. Em Voz Alta só existe porque vocês estão aí.

Que neste novo ano a gente se permita rir mais alto, questionar mais fundo e apostar naquelas ideias que parecem improváveis… até que se tornam inevitáveis.

Que cada manhã venha com café quente, pensamentos frescos e coragem suficiente para desafiar o lugar-comum.
E que, mesmo nos tropeços, a gente saiba se levantar com a curiosidade de quem ainda acredita.

Porque a vida é curta demais para textos sem graça, conversas vazias e sonhos guardados na gaveta.

Então, 2026: venha com ousadia, com lucidez e — se não for pedir muito — com um pouco de magia nos detalhes.
Seguimos juntos, Em Voz Alta, celebrando cada palavra que merece ser dita.

Feliz Ano Novo.
Que seja barulhento, inspirador e inesquecível. ✨🥂



🎙️If 2025 felt like a book you read upside down, get ready — 2026 promises unexpected chapters.

First and foremost, thank you.
To everyone who subscribed, follows, comments, shares, and shows up — your attention is a privilege. Em Voz Alta exists because you are there.

May this new year allow us to laugh louder, question deeper, and believe in those ideas that seem unlikely… until they become inevitable.

May each morning bring hot coffee, fresh thoughts, and enough courage to challenge the ordinary.
And even when we stumble, may we rise with the curiosity of those who still believe.

Because life is far too short for dull writing, empty conversations, and dreams left in a drawer.

So, 2026: come with boldness, clarity — and, if possible, a little magic in the details.
We move forward together, Em Voz Alta, celebrating every word worth saying.

Happy New Year.
May it be loud, inspiring, and unforgettable. ✨🥂

31/12/25

Feliz Natal!

Neste fim de ano, queremos celebrar não apenas as conquistas,
mas também os aprendizados, os encontros
e os desafios que nos fizeram crescer.

23/12/25

María Corina Machado e o Nobel em tempos de poder duro:
Símbolo de paz ou peça em um tabuleiro maior?

María Corina Machado:
Quando o Nobel revela semelhanças indesejadas. (Página Editorial)

11/12/25

Quando o poder vira violência.

O recorde de feminicídios em São Paulo revela mais do que um número — expõe a cultura da dominação e a violência autorizada pelo poder.
A capital de São Paulo bateu recentemente um recorde que deveria envergonhar qualquer sociedade que se pretenda moderna: o maior número de feminicídios já registrados. Esse número não é apenas estatística — é luto, é ruptura de vidas, é a falência de um pacto civilizatório básico. Mas é também sintoma de algo ainda mais profundo: a normalização da violência como ferramenta de controle por parte de quem detém mais força, mais dinheiro, mais influência ou, simplesmente, mais espaço social para impor sua vontade.

09/12/25

Quieta, Michelle!

A cena é conhecida — não apenas na política, mas em qualquer espaço onde mulheres começam a ocupar terreno que tradicionalmente não lhes era permitido. Quando Michelle Bolsonaro dá um passo fora do “quadrado” criado para ela, imediatamente aparece alguém para lembrar qual deveria ser o seu lugar. E, como tantas vezes acontece, esse alguém é do próprio partido, da própria estrutura que se beneficia de sua imagem, mas teme sua autonomia.

02/12/25

A primeira música country gerada por IA no topo das paradas:
Um marco de mudança na indústria?

Quando Walk My Walk, música atribuída ao “artista” Breaking Rust — totalmente criado por inteligência artificial — alcançou o 1º lugar na Billboard Country Digital Song Sales, deixou de ser apenas curiosidade tecnológica. O episódio marcou algo maior: uma ruptura simbólica no coração da indústria.

28/11/25

Interfaces Cérebro–Computador.
O que a pesquisa cerebral realmente significa para a tecnologia movida pelo pensamento.

As interfaces cérebro–computador (BCIs) deixaram de ser ficção científica para se tornarem parte da pesquisa aplicada e de testes clínicos avançados. O avanço decisivo veio da capacidade crescente de decodificar a linguagem elétrica do cérebro.

26/11/25

Marx, o mito conveniente da “preguiça.”
E o que ele revela sobre nós.

Volta e meia reaparece nas redes aquela velha caricatura: Karl Marx seria um “encostado na mulher”, alguém que não queria trabalhar e por isso teria inventado uma teoria para justificar a própria suposta indolência. É um meme fácil, apelativo — e totalmente desconectado dos fatos. Mas, acima de tudo, diz mais sobre quem o compartilha do que sobre Marx.

24/11/25

O discreto charme do desmanche.
Por Valéria Monteiro.

Há um clima de devolução de biblioteca nas clínicas estéticas.
As pessoas chegam com a mesma elegância constrangida de quem devolve um livro atrasado:

23/11/25

Quando os indícios deixam de ser sinais e passam a ser estratégia, risco e narrativa.
Por Valéria Monteiro.

A prisão preventiva de Bolsonaro, a vigília convocada por Flávio e o mito do “juiz de tudo” expõem como a política brasileira virou um campo onde fatos, medos e versões disputam a mesma verdade.

22/11/25

Ray Dalio x Thomas Piketty:
Duas leituras em colisão sobre o futuro do capitalismo.

Ray Dalio e Thomas Piketty olham para o mesmo fenômeno — desigualdade crescente, tensão social, desgaste democrático — e chegam a receitas profundamente diferentes. Ambos reconhecem que o capitalismo enfrenta uma crise interna; o desacordo está na cura.

21/11/25

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