No Ar
8 de março: não somos invencíveis — e é exatamente por isso que precisamos umas das outras
Existe uma narrativa confortável sobre as mulheres.
A de que somos fortes.
Resilientes.
Capazes de tudo.
E somos.
Mas há uma parte dessa história que raramente dizemos em voz alta:
também somos vulneráveis.
E não há vergonha nisso.
07.03.26
O Sacrifício Definitivo.
Com Lula em empate técnico no segundo turno, desistir seria fraqueza — ou estratégia histórica?
As pesquisas mais recentes apontam um dado que muda o tom da eleição de 2026:
Luiz Inácio Lula da Silva aparece em empate técnico no segundo turno não apenas contra Flávio Bolsonaro, herdeiro direto do bolsonarismo, mas também contra Ratinho Júnior, nome da centro-direita com perfil mais administrativo.
04.03.26
A regeneração que o Brasil precisa decidir.
A descoberta de Tatiana Coelho de Sampaio é um avanço científico — mas também um teste de maturidade do Estado.
Quando uma pesquisadora brasileira desenvolve uma abordagem promissora para regeneração da medula espinhal, o fato ultrapassa o campo científico.
Ele se torna um marcador de capacidade nacional.
A pesquisa liderada por Tatiana Coelho de Sampaio, centrada na polilaminina — molécula projetada para estimular a reconexão de neurônios após lesões graves — insere o Brasil em uma das fronteiras mais complexas da medicina contemporânea: a neuroregeneração.
27.02.26
Pesquisas, mente coletiva e o segundo turno que começa antes da urna.
Pesquisas, mente coletiva e o segundo turno que começa antes da urna.
Por Valéria Monteiro.
A divulgação de cenários de segundo turno pela AtlasIntel não é apenas um evento estatístico. É um acontecimento psicológico.
E eleições são fenômenos de comportamento coletivo.
A pergunta não é apenas “quem ganha de quem”.
É: o que acontece na mente do eleitor quando ele vê esses números?
26.02.26
Ano do Cavalo 2026.
O que o Ano do Cavalo significa para leitores ocidentais.
Para quem cresceu sob o calendário gregoriano, a ideia de que um ano carrega a energia simbólica de um animal pode soar folclórica. Mas o ciclo do zodíaco chinês — celebrado no início do Ano Novo Chinês — organiza tempo, expectativa e comportamento coletivo há milênios na Ásia.
Em 2026, entramos no Ano do Cavalo de Fogo — uma das combinações mais intensas do ciclo.
18.02.26
Democracia em Cena:
Quem controla o palco controla a disputa.
O Brasil aprendeu a punir o uso explícito da máquina pública como palanque eleitoral.
O que ainda não resolveu é algo mais sofisticado: o uso do espetáculo como vantagem política.
Em 2022, atos do 7 de Setembro sob o governo de Jair Bolsonaro foram analisados pelo Tribunal Superior Eleitoral dentro de um conjunto mais amplo de condutas que levaram à sua inelegibilidade. A mensagem institucional foi clara: eventos oficiais do Estado não podem ser instrumentalizados para fins eleitorais.
Quando o aparato público entra em cena, a Justiça reage.
Mas a política contemporânea não vive apenas de palanques oficiais. Vive de imagem.
17.02.26
Transparência não é opcional:
Poder, imprensa e o limite da narrativa no caso Maridt–Tayayá.
O caso envolvendo a Maridt Participações S.A., sua participação no Tayayá Resort e o vínculo societário reconhecido por Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal**, não é apenas uma controvérsia empresarial.
É um teste institucional.
E testes institucionais medem mais do que legalidade — medem maturidade democrática.
13.02.26
Poder Protegido, Dano Exposto.
A nova leva de documentos do caso Epstein não é apenas um repositório de escândalos. Ela funciona como um espelho incômodo de como o poder ainda opera — e de como sabe se proteger.
Nos arquivos, repete-se um padrão conhecido. Figuras poderosas aparecem diluídas por cautela jurídica, eufemismos ou silêncio, enquanto as vítimas são expostas em detalhes perturbadores. Idades, fragilidades, deslocamentos e histórias íntimas surgem com nitidez. Essa assimetria não é acidental.
É estrutural.
06.02.26
A pressa que empobrece as palavras — e o pensamento.
“Magina.”
A palavra surge em mensagens rápidas, atravessa conversas digitais e, cada vez mais, aparece onde antes se esperava algum cuidado: e-mails, comunicados, textos profissionais. Não se trata de um erro ortográfico isolado, nem de uma simples gíria passageira. É um indício cultural.
“Magina” lembra aqueles carros que nos ultrapassam com urgência teatral, aceleram, costuram o trânsito — apenas para parar no semáforo seguinte, dois segundos depois. Não chegaram antes. Não ganharam tempo. Apenas tornaram visível a pressa.
04.02.26
Código de ética para o STF? Ou falta de ética em geral?
Sempre que o comportamento de uma instituição passa a causar desconforto público, surge a mesma solução mágica: criar um novo código. Agora, discute-se a necessidade de um código de ética específico para o Supremo Tribunal Federal. A pergunta que se impõe não é apenas jurídica — é moral.
Ministros do STF já não estão submetidos à Constituição, à Lei Orgânica da Magistratura e a deveres funcionais claros? Estão. Então por que a sensação de que algo falta?