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Reposição hormonal:

Reposição hormonal:

O que muda com o FDA — e o que isso significa para o Brasil.

Quando o corpo muda, a ciência também precisa mudar.

(scroll down for English version ↓)

Há uma contradição curiosa quando se fala em menopausa e reposição hormonal.
Nos Estados Unidos, a terapia hormonal ficou por décadas sob o temido black box warning, o que afastou muitas mulheres do tratamento. No Brasil, vivemos quase o contrário: mesmo com recomendação médica, compro meus hormônios diretamente na farmácia, sem qualquer barreira formal.

Entre a rigidez americana e a facilidade brasileira, estão as mulheres — enfrentando ondas de calor, noites instáveis e mudanças emocionais profundas, muitas vezes sem encontrar a medida certa entre liberdade e cuidado.

Com as novas orientações do FDA retirando o alerta máximo e reconhecendo que a terapia hormonal pode ser segura quando bem indicada, o debate ganha contorno importante por aqui:
como equilibrar acesso simples com acompanhamento responsável?



🌿 O que realmente mudou

Após revisar duas décadas de novas evidências, o FDA decidiu remover o black box warning. A agência reconhece que:
• iniciar a terapia até 10 anos após a menopausa tende a ser mais seguro;
• há diferenças claras entre terapia sistêmica (oral/transdérmica) e local;
• riscos variam conforme dose, via e histórico individual.

A medida não transforma hormônios em solução universal — apenas corrige um excesso de cautela que já não refletia a ciência atual.



🇧🇷 O Brasil e a falsa sensação de segurança

Aqui, o desafio é outro: o acesso é amplo, mas o acompanhamento muitas vezes é superficial. A disponibilidade facilita, mas também normaliza o uso sem revisão periódica, sem ajuste de dose e sem avaliação contínua de riscos.

Se nos EUA o medo travou o tratamento, no Brasil a informalidade pode mascarar a necessidade de supervisão séria. A questão não é “comprar com facilidade”, e sim ser acompanhada de forma consistente enquanto se usa.

Hormônios atuam profundamente no corpo — humor, sono, coração, vasos, ossos.
Eles pedem responsabilidade, não improviso.



☀️ O caminho do meio

Nem burocracia excessiva, nem permissividade desatenta.
O que importa é:
• informação clara
• avaliação individualizada
• doses adequadas
• acompanhamento regular
• decisões compartilhadas

O cuidado real mora nesse equilíbrio.



🌸 A menopausa não exige silêncio, exige lucidez.
Com informação adequada, acompanhamento e escolhas bem feitas, essa fase pode deixar de ser um território de desconforto para se tornar um período de presença, autonomia e bem-estar.
A ciência finalmente avança. Cabe a nós avançarmos junto.




When the body changes, science must change too

Menopause and hormone therapy reveal a striking contrast between countries.
In the United States, treatment remained under a restrictive black box warning for years. In Brazil, the reality is the opposite: even with medical guidance, I can purchase my hormones directly at the pharmacy with virtually no barrier.

Between these extremes are women navigating hot flashes, disrupted sleep and emotional shifts — often unsure where true balance lies between autonomy and safe care.

With the FDA now removing its highest alert and acknowledging that hormone therapy can be safe when properly monitored, an urgent question emerges for Brazil:
how do we combine easy access with responsible follow-up?



🌿 What actually changed

After reviewing decades of evidence, the FDA recognized that:
• therapy started within 10 years of menopause tends to be safer;
• systemic and local therapies have distinct profiles;
• risks depend on dose, route and individual history.

The decision doesn’t eliminate risks — it aligns policy with current science.



🇧🇷 Brazil’s challenge: access without guidance

Here, accessibility often replaces structure. Buying hormones is simple, but sustained medical supervision is not always part of the process.

If the U.S. was held back by excess caution, Brazil risks normalizing treatment without proper follow-up. The real question is: are women being monitored as closely as these medications require?

Hormones act deeply on sleep, mood, vessels, bones, memory and heart.
They demand attentive care.



☀️ The middle path

Neither fear nor neglect serves women well. Effective care rests on:
• clear information
• individualized evaluation
• appropriate dosing
• regular follow-up
• shared decision-making

Balance is the true foundation of well-being.



🌸 Menopause doesn’t call for silence — it calls for clarity.
With proper information, monitoring and thoughtful choices, this stage of life can shift from discomfort to autonomy, vitality and well-being.
Science is moving forward. It’s time for us to move with it.

Valéria Monteiro.
Jornalista, fundadora do site valeriamonteiro.com.br
e ex-âncora da TV Globo e Bloomberg.

14 de novembro de 2025 às 15:15:32

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