Adolescence:

A adolescência sempre foi um território fértil para narrativas cinematográficas.
Philip Barantini
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A adolescência sempre foi um território fértil para narrativas cinematográficas, e Adolescence se propõe a explorar esse universo com um olhar contemporâneo. O filme se destaca por sua abordagem crua e direta das experiências juvenis em um mundo hiperconectado, mas será que ele consegue equilibrar crítica e entretenimento de forma eficaz?
O Enredo e a Proposta
A trama acompanha um grupo de adolescentes lidando com os desafios típicos da idade, mas sob a influência avassaladora das redes sociais e da cultura digital. A direção opta por um realismo quase documental, mergulhando o espectador na rotina desses jovens e expondo suas vulnerabilidades diante da necessidade de aceitação e pertencimento.
A proposta do filme é clara: trazer à tona discussões sobre identidade, influência digital e a forma como a juventude atual internaliza comportamentos e padrões muitas vezes nocivos. Para isso, o roteiro aposta em diálogos naturais e situações que, apesar de às vezes parecerem exageradas, refletem um cenário real para muitos jovens.
Pontos Fortes
Um dos grandes acertos de Adolescence é sua autenticidade na representação do universo juvenil. A fotografia e a edição trabalham juntas para criar uma sensação de imersão, reforçada por um elenco jovem e convincente. A trilha sonora, composta majoritariamente por músicas populares entre o público-alvo, também contribui para essa ambientação.
Outro ponto positivo é a coragem do filme em abordar temas polêmicos sem didatismo excessivo. Ele confia na inteligência do espectador para conectar os pontos e refletir sobre as questões apresentadas, em vez de entregar respostas prontas.
Pontos Fracos
Apesar de sua força narrativa, Adolescence peca por, em alguns momentos, cair na armadilha do sensacionalismo. Algumas cenas parecem mais focadas em chocar do que em aprofundar as discussões que propõem. Além disso, certos personagens poderiam ser mais desenvolvidos para que suas motivações ficassem mais claras, evitando a impressão de que servem apenas como arquétipos.
Outro problema é que, ao tentar captar a linguagem e os códigos da juventude digital, o filme pode acabar datado rapidamente. A cultura online evolui a uma velocidade impressionante, e alguns elementos que hoje parecem relevantes podem perder o impacto em pouco tempo.
Conclusão
Adolescence é um filme provocativo e necessário, que levanta questões importantes sobre a relação dos jovens com a tecnologia e os desafios da formação de identidade na era digital. Apesar de tropeços pontuais no tom e no desenvolvimento de alguns personagens, a produção cumpre seu papel ao instigar discussões e oferecer um retrato sincero – ainda que perturbador – da adolescência contemporânea. Não é um filme confortável de assistir, mas talvez essa seja sua maior qualidade.
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Inglês:
Ritical Review: Adolescence
Adolescence has always been a rich territory for cinematic narratives, and Adolescence aims to explore this universe with a contemporary perspective. The film stands out for its raw and direct approach to teenage experiences in a hyperconnected world, but does it successfully balance critique and entertainment?
Plot and Premise
The story follows a group of teenagers navigating the typical challenges of their age, but under the overwhelming influence of social media and digital culture. The direction adopts an almost documentary-like realism, immersing the audience in the daily lives of these young people and exposing their vulnerabilities in the face of the constant need for acceptance and belonging.
The film’s goal is clear: to spark discussions about identity, digital influence, and how today’s youth internalize behaviors and standards that are often harmful. To achieve this, the script relies on natural dialogues and situations that, although sometimes exaggerated, reflect a reality many young people face.
Strengths
One of Adolescence’s greatest strengths is its authenticity in portraying the teenage universe. The cinematography and editing work together to create a sense of immersion, reinforced by a young and convincing cast. The soundtrack, primarily composed of music popular among the target audience, also enhances this atmosphere.
Another strong point is the film’s courage in tackling controversial topics without excessive didacticism. It trusts the audience’s intelligence to connect the dots and reflect on the issues presented rather than providing ready-made answers.
Weaknesses
Despite its narrative strength, Adolescence sometimes falls into the trap of sensationalism. Some scenes seem more focused on shocking than on deepening the discussions they introduce. Additionally, certain characters could have been more developed to clarify their motivations, avoiding the impression that they serve merely as archetypes.
Another issue is that, in attempting to capture the language and codes of the digital youth, the film risks becoming outdated quickly. Online culture evolves at an astonishing speed, and some elements that seem relevant today may lose their impact in a short time.
Conclusion
Adolescence is a provocative and necessary film that raises important questions about young people’s relationship with technology and the challenges of identity formation in the digital age. Despite occasional missteps in tone and character development, the production fulfills its role in sparking discussions and offering an honest—if unsettling—portrait of contemporary adolescence. It is not a comfortable film to watch, but perhaps that is its greatest strength.
Want to continue this discussion? Check out my full post on Adolescence and intergenerational communication at valeriamonteiro.com.br
