Naquele tempo agora.
Piloto Valéria Monteiro.

A entrevista impossível.
Começo dos anos 2000.
Eu queria fazer o que ninguém fazia: sentar diante de personagens da história do Brasil e entrevistá-los. Não reconstituir, não narrar — perguntar. Olhar nos olhos de quem moldou este país e ouvir a resposta.
No piloto, escrito e pesquisado por mim, Antônio Carlos Gomes era interpretado pelo maestro e professor Eduardo Ostergren, que emprestou ao compositor campineiro a autoridade de quem vive dentro da música e conhecia sua história profundamente. As ilustrações nasceram das mãos de alunos da PUC-Campinas, e o projeto contou com a parceria da produtora — e amiga — Ameia Lobo. A captação e a edição foram feitas nos estúdios da Traffic, em São Paulo, a mesma casa que captava os grandes jogos de futebol do país.
O programa nunca foi ao ar. Eu produzia de forma independente, sem emissora, sem distribuição, numa época em que ideia sem outlet morria na gaveta. A minha não morreu: anos depois, reapareceu na grade de TV aberta, com outro nome, outro elenco e nenhuma menção à origem. Coincidência criativa existe. Mas quem chega primeiro sabe a que horas chegou.
Fico com o que é meu: a ideia, o piloto, e a certeza de que estar à frente do tempo tem um preço — e também uma assinatura.
