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Proteção Animal: Entre a Vitrine Política e o Compromisso Real Quando a gente fala em proteção animal, quase todo mundo acha bonito, não é mesmo?

Marcelo Giorgetti - 62 anos - Produtor de Áudio Publicitário e proprietário da MSG Audio Design.

22 de mai. de 2026

É uma causa que emociona, que pega no coração, que dá imagem boa e que muita gente apoia. Mas, na prática, dentro da política, ela ainda costuma ser tratada como uma pauta secundária. É mais ou menos assim: muitos políticos gostam do tema quando ele rende uma foto bonita com cachorro no colo, um vídeo de resgate, um discurso emocionante, um mutirão de castração ou uma homenagem para protetores. Só que, quando chega a hora de transformar isso em política pública de verdade, com orçamento, equipe, planejamento, fiscalização, educação e estrutura… aí o entusiasmo costuma diminuir bastante. E olha que proteção animal não é frescura, não. O Brasil já tem leis importantes contra maus-tratos, programas de manejo populacional de cães e gatos e políticas voltadas para animais resgatados em emergências e desastres. Esses avanços federais recentes são positivos e mostram que o tema ganhou mais status institucional. Mas eles não apagam o diagnóstico de fundo: ainda falta a proteção animal virar gestão pública civilizada de forma ampla e contínua, e não apenas vitrine política ou resposta reativa. Mas, na prática política do dia a dia, o assunto costuma cair em três gavetas. A primeira é a gaveta do: “isso dá voto”. Muitos políticos perceberam que proteção animal mobiliza gente. Protetores são ativos, organizados, emocionados e fazem barulho. Então a causa passa a ter valor eleitoral. Castração, ambulância pet, hospital veterinário público, feira de adoção, denúncia de maustratos… tudo isso tem apelo popular. E vamos combinar: um animal sofrendo comove muito mais rápido do que uma planilha de orçamento. A segunda gaveta é a do: “isso não é prioridade agora”. Quando começa a disputa por dinheiro público, a causa animal geralmente perde espaço para saúde, educação, segurança, transporte, asfalto e folha de pagamento. Aí aparece aquela frase clássica: “bicho é importante, mas primeiro vem gente”. Só que essa frase parece lógica, mas é bem limitada. Porque abandono animal também vira problema de gente. Vira problema de saúde pública, acidente, mordida, zoonose, sujeira urbana, sofrimento social e custo para o próprio governo depois. Proteção Animal • Política Pública A terceira gaveta é a pior: “deixa para a ONG resolver”. Essa é cruel. Muitos governos acabam jogando o problema no colo de protetores independentes e ONGs. O poder público aparece na foto, mas a ração, o remédio, a gasolina e o lar temporário são frutos do empenho e desgaste emocional dos protetores. O Estado empurra a bomba com a barriga e ainda acha que está fazendo um baita favor quando doa um saco de ração. Aí é de lascar. No fundo, a visão de muitos políticos ainda é antiga. Para eles, animal é “assunto menor”, “coisa de protetor”, “pauta emocional”, “tema de nicho”. Mas não é. Proteção animal faz parte de uma cidade bem administrada. Quando um governo leva isso a sério, ele não pensa só em resgate. Ele pensa em castração contínua, identificação dos animais, fiscalização, educação nas escolas, combate a criadouros clandestinos, resposta a desastres e integração com saúde pública, meio ambiente e segurança. É claro que existem políticos e gestores que entendem isso de verdade. Gente que não usa a causa só como vitrine, mas tenta transformar proteção animal em política pública estruturada. O problema é que eles ainda são minoria. Na média, a proteção animal só sobe na lista de prioridades quando acontece uma pressão popular forte, um caso de maus-tratos viraliza, um desastre chama atenção, chega período eleitoral ou existe alguém dentro do governo realmente comprometido com a causa. O ideal seria simples: proteção animal não deveria ser vista como luxo. Deveria ser vista como gestão pública civilizada. Uma cidade que abandona seus animais geralmente revela falhas maiores: falta de planejamento, falta de fiscalização, falta de educação e falta de compaixão administrativa. Animal na rua não é só “problema de bicho”. É sintoma de governo desorganizado, população mal orientada e ausência de política contínua. Então, resumindo: muita gente na política gosta da causa no palanque, respeita quando dá voto, empurra quando dá custo e só prioriza de verdade quando a sociedade aperta o calo. Proteção Animal • Política Pública.

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