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Sobre jazidas e poder.

Notas sobre terras raras, captura de valor e o padrão que o Brasil insiste em repetir.

Sobre jazidas e poder.
Notas sobre terras raras, captura de valor e o padrão que o Brasil insiste em repetir.

Foto gerada por IA.

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Há uma pergunta que ainda não entrou, com a densidade necessária, no debate brasileiro sobre terras raras. Ela não é técnica. Não é ideológica. É anterior a qualquer uma dessas camadas.


Quem captura o valor?

Não quem tem o recurso. Não quem extrai. Não quem exporta. Quem fica, ao final da cadeia, com o lucro, a tecnologia, o poder de decisão e a posição estratégica.


Essa é a pergunta que separa países que se desenvolvem de países que apenas produzem. Que separa soberania real de soberania de fachada. E é a pergunta que o Brasil evita fazer há pelo menos um século, cada vez que um novo ciclo de commodities bate à porta.


Agora bate de novo. E, desta vez, em uma sequência de 48 horas que pode definir o setor por uma década.


A semana que o Brasil pode não estar olhando direito.

Na segunda-feira, 20 de abril de 2026, a empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou acordo para comprar a Serra Verde — dona da mina e planta Pela Ema, em Minaçu (GO), a única operação comercial de terras raras em solo brasileiro — por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação combina US$ 300 milhões em caixa e 126,849 milhões de ações recém-emitidas. Junto ao anúncio, a Serra Verde firmou contrato de fornecimento de 15 anos da produção integral da Fase 1 da mina para um veículo financiado por recursos públicos americanos e investidores privados, com pisos de preço contratuais. Antes desse acordo, a produção da Serra Verde era exportada majoritariamente à China. A conclusão do negócio depende de aprovações regulatórias e está prevista para o terceiro trimestre de 2026.


Na quarta-feira, 22 de abril — dois dias depois —, a Câmara dos Deputados colocou em pauta, em sessão extraordinária semipresencial convocada pelo presidente Hugo Motta, o PL 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O projeto, de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), organiza um marco regulatório para o setor — diretrizes de exploração, beneficiamento e comercialização, um comitê vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral, e instrumentos de estímulo ao investimento privado. O relator é o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que já declarou ser contrário à criação de uma estatal do setor.


Aqui é preciso uma pausa honesta com o leitor: o relatório substitutivo do deputado Arnaldo Jardim — o texto que de fato será votado — não havia sido integralmente divulgado às bancadas até a véspera da votação, segundo denúncias públicas do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, e reportagens de Carta Capital, Diário do Centro do Mundo e O Cafezinho. Um grupo interministerial organizado pela Casa Civil ainda estava consolidando sugestões ao parecer nas semanas anteriores. Isso significa que qualquer avaliação detalhada do conteúdo final do texto, neste momento, seria especulação.


E isso, em si, é uma denúncia. Votar um marco regulatório estratégico — que define como o Brasil se posiciona em uma disputa geopolítica de escala global — em regime remoto, logo após um feriadão, sem que o texto tenha sido plenamente debatido pelas bancadas, é uma falha democrática antes de ser uma falha técnica.


Apensados ao PL 2.780 tramitam doze projetos, incluindo dois apresentados nas últimas semanas: o PL 1733/2026, do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), apresentado em 9 de abril, e o PL 1754/2026, da bancada do PT, apresentado em 10 de abril pelo líder Pedro Uczai. Ambos criam a Terrabras — estatal de terras raras, em modelos distintos (o do PT inclui regime de partilha nos moldes do pré-sal, com participação mínima de 50% da União). Nenhum dos dois é votado isoladamente hoje: entram, se entrarem, como destaques no bojo da discussão sobre o PL 2.780.


Não é a Terrabras que está sendo votada. É o marco regulatório. Mas a Terrabras virou o enquadramento político que domina a discussão — com Carta Capital, O Cafezinho e setores da base governista defendendo a estatal como “soberania”, e Valor Econômico, IBRAM, AMC e a ABPM apresentando a Terrabras como “intervencionismo que afastaria investidores”. Os dois lados estão debatendo o PL 2.780 usando a Terrabras como divisor de águas.


A coincidência de datas entre a venda da Serra Verde e a votação do marco não é coincidência. É o momento em que o Brasil decide, sob pressão e com pouco debate público, como vai se posicionar na disputa global pelos minerais que organizam a economia do século XXI. E decide isso enquanto a maioria dos brasileiros sequer sabe o que são terras raras.


O que está em jogo — e por que importa.

Terras raras são dezessete elementos químicos. Apesar do nome, não são raros. São difíceis de separar uns dos outros, o que os torna caros e estratégicos. Estão em praticamente tudo o que define a economia do século XXI: smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos médicos, mísseis guiados, radares, satélites.

Uma turbina eólica offshore consome cerca de 600 kg de ímãs de neodímio. Um carro elétrico carrega entre 1 e 2 kg de terras raras. A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda global crescerá sete vezes até 2040.


O Brasil detém 23% das reservas mundiais conhecidas — a segunda maior do planeta, atrás apenas da China — segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Em 2024, produziu 20 toneladas, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil. A produção global no mesmo ano foi de 390 mil toneladas. Ou seja: temos quase um quarto do que o mundo possui, e entregamos menos de 0,01% do que o mundo consome.


Esse descompasso é a razão pela qual os Estados Unidos entraram no Brasil com velocidade inédita. O movimento tem uma linha do tempo clara. Em 4 de abril de 2025, o governo chinês impôs controles de exportação sobre sete elementos de terras raras médias e pesadas — incluindo disprósio, térbio, samário, gadolínio e ítrio — e sobre ímãs permanentes. Em 9 de outubro de 2025, ampliou o escopo em seis novas regulações, adicionando mais cinco elementos à lista e aplicando, pela primeira vez, sua versão da regra de produto direto estrangeiro (Foreign Direct Product Rule) — mecanismo que os próprios americanos vinham usando contra a China no setor de semicondutores. Em 30 de outubro, no encontro de Busan, Pequim aceitou suspender por um ano a aplicação da nova rodada de outubro, em troca da suspensão da regra americana de 50% sobre

entidades afiliadas. Mas os controles de abril continuam vigentes. A trégua é parcial, e o mercado sabe disso.


Nesse intervalo, Washington se moveu. Fechou acordos de fornecimento e investimento com Austrália, Ucrânia, Japão, Malásia e Camboja. A DFC, agência de financiamento do governo americano, passou a bancar mineradoras em território brasileiro — a própria Serra Verde assinou, em fevereiro de 2026, acordo de financiamento de US$ 565 milhões com Washington, dois meses antes da oferta de aquisição.


É neste ponto que a pergunta precisa entrar no debate brasileiro. Porque, sem ela, estamos apenas escolhendo para quem exportar matéria-prima.


A camada econômica: onde o valor realmente está.

A cadeia das terras raras é, em economia básica, um manual de como o valor se distribui de forma profundamente desigual entre quem escava e quem transforma.


Análises setoriais convergem em uma ordem de grandeza: a mineração captura entre 10% e 20% do valor total da cadeia. A separação química e o refino ficam com 40% a 50%. A produção de ímãs permanentes e aplicações finais, com os 30% a 40% restantes.


Os preços explicam o resto. Segundo estimativas apresentadas em eventos do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o concentrado misto — o que o Brasil exporta — vale cerca de US$ 10 por quilo. Os óxidos separados, entre US$ 50 e US$ 200 por quilo, dependendo do elemento. Os ímãs permanentes de alta performance, o produto final da cadeia, podem alcançar milhares de dólares por quilo. É a mesma substância geológica, transformada em cinco produtos diferentes, com preços que variam em três ordens de magnitude.


O Brasil está no degrau mais baixo dessa escala. A Serra Verde, com capacidade nominal de 5.000 toneladas anuais de óxidos de terras raras, enviava sua produção para refino na Ásia —predominantemente na China, que controla a maior parte da capacidade global de separação e processamento. Com o acordo com a USA Rare Earth, essa produção passará a abastecer uma cadeia norte-americana em construção. A geografia do comprador muda. A lógica, não: o valor agregado continua acontecendo fora do Brasil.


É aqui que a pergunta deixa de ser abstrata. Exportar concentrado para a China ou para os Estados Unidos não é política industrial — é escolha de cliente. Em qualquer dos dois cenários, o Brasil continua capturando a fração menos valiosa da cadeia.


A camada científica: o conhecimento existe — e está fragmentado.

Aqui mora um ponto que o debate público brasileiro costuma ignorar: o Brasil já tem ciência e tecnologia de terras raras. Tem há décadas. O problema não é ausência de conhecimento — é ausência de continuidade.


O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, desenvolveu em escala piloto contínua a tecnologia de separação dos elementos de terras raras, justamente a etapa mais crítica e de maior valor agregado da cadeia. Universidades como USP, UFSC e instituições como IPEN, IPT e CDTN formam pesquisadores há anos. O INCT P.A.T.R.I.A. — Processamento e Aplicações de Ímãs de Terras Raras para Indústria de Alta Tecnologia —, coordenado pela USP entre 2018 e 2024, avançou na fase de ímãs permanentes. O INCT MATERIA, aprovado em 2024, reúne uma rede nacional dedicada a materiais avançados baseados em terras raras. E o projeto MagBras — Da Mina ao Ímã, lançado em julho de 2025 com R$ 73 milhões financiados pelo SENAI e pela FUNDEP, reúne 28 empresas, 7 instituições de ciência e

tecnologia e 3 fundações para estruturar uma cadeia nacional de produção de ímãs permanentes.


Existe, portanto, uma espinha dorsal científica. O que falta é musculatura industrial em torno dela.


E falta pela mesma razão histórica que recua pelo menos setenta anos. A Orquima, empresa brasileira que nos anos 1950 dominava parte da separação de terras raras e tório, foi esvaziada em episódio denunciado à época pelo almirante Álvaro Alberto, então presidente do Conselho Nacional de Pesquisas. A Nuclemon — Minérios Monazíticos S.A., estatal criada em 1958 e vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear, chegou a dominar extração e parte da separação, mas foi desativada no fim dos anos 1980, em meio à ausência de uma política industrial consistente para o setor. Entre 1993 e 1996, a INB e o IEN criaram uma Unidade de Desenvolvimento de Solventes para recuperar o conhecimento perdido. Três décadas depois, ainda estamos tentando

recuperá-lo.


Não é falta de cérebro. É falta de Estado.


A camada política: os dois lados que podem errar alvo.

O debate chega ao plenário como uma oposição binária — marco regulatório com incentivos versus estatal de terras raras. Essa dicotomia é mais fácil de votar do que a realidade exige. Porque ambos os lados, nos desenhos que conhecemos, podem erraralvo.


Um marco regulatório que organize incentivos fiscais sem condicioná-los rigorosamente ao beneficiamento e à industrialização em território brasileiro corre o risco de financiar, com renúncia fiscal brasileira, a exportação primária para cadeias industriaisestrangeiras. Incentivar a mineração sem exigir industrialização é subsidiar o elo menosvalioso da cadeia.


Uma estatal focada na extração e gestão de reservas, por sua vez, mira o lugar errado. Capturaria justamente o segmento que menos agrega valor — os 10% a 20% que amineração representa. Imobilizaria capital público onde o retorno estratégico é baixo. E reforçaria, em vez de romper, a lógica de exportação primária que o próprio projeto diz combater. Seria uma resposta simbólica a um problema estrutural.


Há ainda o histórico, que o Brasil precisa encarar com honestidade. O país já tem duas estatais ligadas à mineração. O Serviço Geológico do Brasil mapeou menos de 30% do território nacional, segundo declaração do próprio IBRAM. A INB, nas últimas décadas, viu sua capacidade de processamento de urânio estagnar. A Nuclemon — estatal que de fato fazia separação de terras raras — foi desativada sem substituição. Criar uma terceira sem antes entender por que as duas anteriores encolheram é trocar diagnóstico por gesto político.


O debate real, que o Congresso tem pouca disposição para fazer, não é “Estado ou

mercado”. É mais difícil:


Em qual parte da cadeia o Estado consegue fazer diferença — e qual tipo de Estado seria capaz disso?


Quatro critérios para avaliar o que sair da votação.

Como o texto substitutivo de Arnaldo Jardim não foi plenamente divulgado antes da votação, qualquer avaliação específica dos dispositivos do PL 2.780, nesta coluna, seria especulação. Mas é possível — e necessário — oferecer ao leitor uma régua de quatro critérios pelos quais o marco aprovado hoje ou nos próximos dias poderá ser avaliado.

Independente do resultado, esses critérios permanecem. E eles derivam diretamente da pergunta central: quem captura o valor?


Primeiro critério: condicionalidade dos incentivos. Um marco que concede depreciação integral, amortização acelerada, redução de IPI e acesso a debêntures incentivadas sem condicionar esses benefícios ao beneficiamento, separação ou industrialização em território brasileiro é, estruturalmente, um subsídio à exportação primária. A pergunta a fazer é: os incentivos se aplicam apenas a empresas que operem também nas etapas de maior valor agregado? Ou valem para quem apenas escava?


Segundo critério: controle sobre operações estratégicas. Com a venda da Serra Verde em andamento, a questão deixou de ser hipotética. Um marco que não preveja mecanismos claros de screening para aquisições estrangeiras de ativos considerados estratégicos, que não condicione alienações ao interesse nacional, que não exija transferência de tecnologia em contratos com capital estrangeiro, está entregando a decisão sobre ativos estratégicos ao mercado. O PL 4.443/2025 no Senado propõe mecanismos nessa direção. Quanto desses mecanismos entra no texto da Câmara é uma das medidas do projeto.


Terceiro critério: articulação de política industrial real. Um comitê de governança e um portal de rastreabilidade são estruturas regulatórias, não política industrial. Política industrial de fato articula CETEM, INCTs, SENAI, BNDES, Finep, MCTI e MME em torno de metas concretas de ocupação dos elos de maior valor — separação, refino, ligas, ímãs.

Inclui encomendas tecnológicas, compras governamentais (turbinas eólicas da eletrificação, equipamentos de defesa) e orçamento dedicado, não apenas renúncia fiscal. O marco cria estrutura de coordenação vinculante, ou apenas cria comitês?


Quarto critério: continuidade científica. As descontinuidades que desmontaram a Orquima nos anos 1950, a Nuclemon nos anos 1980 e a Unidade de Desenvolvimento de Solventes nos anos 1990 tiveram uma causa comum: financiamento público descontínuo, refém de ciclos eleitorais. Um marco sério precisa ancorar financiamento continuado de ciência e engenharia aplicadas à cadeia — através de fundos setoriais protegidos, contratos de longo prazo com instituições de pesquisa, garantia orçamentária plurianual. Sem isso, qualquer avanço tecnológico construído hoje pode ser abandonado amanhã, como já foi três vezes.


Esses quatro critérios não são uma preferência política. São a tradução operacional da pergunta quem captura o valor?. Um marco que atenda aos quatro cria condições para o Brasil ocupar os 80% mais valiosos da cadeia. Um marco que atenda a dois, a um ou a nenhum deixa o país onde está: segunda maior reserva mundial, produtor marginal, exportador de matéria-prima com vocabulário de soberania.


O que seria um Estado inteligente.

Não é um Estado ausente. Também não é um Estado onipresente. É um Estado seletivo, técnico e com horizonte longo. Se houver presença estatal direta, que seja cirúrgica. Participação acionária estratégica em elos específicos da cadeia, financiamento de risco para plantas de separação, coordenação de pesquisa aplicada, compras governamentais para turbinas eólicas e defesa. Não necessariamente a operação de minas.


O contraste com a China é instrutivo — e incômodo. Pequim não conquistou o domínio das terras raras por acaso. Construiu-o ao longo de quatro décadas, combinando planejamento estatal, investimento contínuo em pesquisa, fusões entre estatais e privadas, integração entre academia e indústria, e políticas industriais explícitas como o Made in China 2025 e os planos quinquenais. Quando Deng Xiaoping disse em 1992 que “o Oriente Médio tem petróleo; a China tem terras raras”, ele não estava descrevendo geologia. Estava anunciando um projeto nacional.


O Brasil nunca teve um projeto nacional equivalente para terras raras. Teve surtos,

interrupções, tentativas isoladas. Ciência sem indústria. Jazida sem cadeia. Potencial

sem decisão.


O risco mais sofisticado.

O maior risco deste momento não é perder as terras raras. É algo mais sutil — e, por isso, mais perigoso.


É transformar a economia verde em uma nova versão do velho extrativismo latino- americano. Mais limpa no discurso. Mais sofisticada na tecnologia. Idêntica na distribuição de poder.


Quem captura o valor hoje define quem lidera a economia amanhã. Quem extrai o minério fica com a renda do solo. Quem separa, refina e industrializa fica com a tecnologia, os empregos qualificados, a balança comercial e a soberania.


Qualquer que seja o desfecho da votação desta quarta-feira — aprovação do PL 2.780 com o texto do relator, aprovação com emendas dos apensados, adiamento pressionado pela oposição, ou avanço paralelo da Terrabras —, o resultado só terá importância estrutural se responder aos quatro critérios acima. E se esses critérios não forem atendidos, o debate continuará aberto nas próximas semanas, meses e anos — porque a pergunta, ela mesma, não vai embora.


O Brasil não está diante de uma oportunidade mineral. Está diante de uma escolha estrutural sobre que tipo de país quer ser nas próximas décadas — se o fornecedor da vez em cada novo ciclo de commodities, ou um país que, enfim, converte recurso natural em capacidade industrial, tecnológica e geopolítica.


A diferença entre esses dois caminhos não está na geologia.


Está na qualidade do Estado — e na clareza da pergunta que escolhemos fazer.


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On deposits and power. 

Notes on rare earths, value capture and the pattern Brazil insists on repeating. 


There is a question that has not yet entered, with the depth it deserves, the Brazilian debate on rare earths. It is not technical. It is not ideological. It comes before either of those layers. 


Who captures the value? 

Not who holds the resource. Not who extracts it. Not who exports it. Who ends up, at the end of the chain, with the profit, the technology, the decision-making power, the strategic position. 

That is the question that separates countries that develop from countries that merely produce. That separates real sovereignty from sovereignty as façade. And it is the question Brazil has avoided asking for at least a century, every time a new commodity cycle knocks at the door. 

It is knocking again. And this time, within a 48-hour sequence that may define the sector for a decade. 


The week Brazil may not be watching closely enough.

On Monday, 20 April 2026, USA Rare Earth announced an agreement to acquire Serra Verde — owner of the Pela Ema mine and processing plant in Minaçu (Goiás), the only commercial rare earths operation on Brazilian soil — for approximately US$ 2.8 billion. 

The deal combines US$ 300 million in cash and 126.849 million newly issued shares. Alongside the announcement, Serra Verde signed a 15-year supply contract covering 100% of its Phase 1 output to a vehicle funded by U.S. government capital and private investors, with contractual price floors. Before this deal, Serra Verde’s output was exported predominantly to China. Closing depends on regulatory approvals and is expected in the third quarter of 2026. 


On Wednesday, 22 April — two days later — the Brazilian Chamber of Deputies placed on the agenda, in an extraordinary hybrid session convened by Speaker Hugo Motta, Bill 2,780/2024, which establishes the National Policy on Critical and Strategic Minerals. The bill, originally authored by deputy Zé Silva (Solidariedade-MG), organises a regulatory framework for the sector — exploration, processing and commercialisation guidelines, a committee tied to the National Council for Mining Policy, and mechanisms to stimulate private investment. The rapporteur is deputy Arnaldo Jardim (Cidadania SP), who has declared himself opposed to creating a state-owned company for the sector. 


An honest pause with the reader is required here: the rapporteur’s substitute text — the actual text to be voted on — had not been fully disclosed to the benches by the eve of the vote, according to public complaints from Workers’ Party (PT) Chamber leader Pedro Uczai and reporting by Carta Capital, Diário do Centro do Mundo and O Cafezinho. An interministerial group convened by the Chief of Staff’s Office was still consolidating suggestions to the report in the preceding weeks. This means that any detailed evaluation of the final content, at this moment, would be speculation.

 

And that, in itself, is an indictment. Voting a strategic regulatory framework — one that defines how Brazil positions itself in a global geopolitical dispute — in remote session, right after a long holiday weekend, before the text has been properly debated by the benches, is a democratic failure before being a technical one. 


Twelve bills are appended to Bill 2,780, including two filed in recent weeks: Bill 1,733/2026, by deputy Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), filed on 9 April, and Bill 1,754/2026, by the PT caucus, filed on 10 April by leader Pedro Uczai. Both create Terrabras — a state-owned rare earths company, in distinct models (the PT version includes a production-sharing regime modelled on the pre-salt oil framework, with a minimum 50% Union participation). Neither is voted on in isolation today: they enter, if at all, as amendments within the broader discussion of Bill 2,780. 


Terrabras is not what is being voted on. The regulatory framework is. But Terrabras has become the political framing that dominates the debate — with CartaCapital, O Cafezinho and sectors of the governing coalition defending the state-owned company as “sovereignty,” and Valor Econômico, IBRAM, AMC and ABPM presenting Terrabras as “interventionism that would scare off investors.” Both sides are debating Bill 2,780 using Terrabras as a watershed.


The overlap of dates between the Serra Verde sale and the vote on the framework is no coincidence. It is the moment Brazil is deciding, under pressure and with little public debate, how it will position itself in the global dispute over the minerals that organise the 21st-century economy. And it is deciding this while most Brazilians do not even know what rare earths are. 


What is at stake — and why it matters.

Rare earths are seventeen chemical elements. Despite the name, they are not rare. They are hard to separate from one another, which makes them expensive and strategic. They are in virtually everything that defines the 21st-century economy: smartphones, wind turbines, electric vehicles, medical equipment, guided missiles, radars, satellites. An offshore wind turbine requires around 600 kg of neodymium magnets. An electric car carries between 1 and 2 kg of rare earths. The International Energy Agency projects that global demand will grow sevenfold by 2040. 


Brazil holds 23% of the world’s known reserves — the second largest on the planet, behind only China — according to the U.S. Geological Survey. In 2024, it produced 20 tonnes, according to Brazil’s Geological Survey. Global output that same year was 390,000 tonnes. That is: we have nearly a quarter of what the world possesses, and we deliver less than 0.01% of what the world consumes. 


That mismatch is why the United States has moved into Brazil with unprecedented speed. The timeline is clear. On 4 April 2025, Beijing imposed export controls on seven medium and heavy rare earth elements — including dysprosium, terbium, samarium, gadolinium and yttrium — and on permanent magnets. On 9 October 2025, it expanded the scope through six new regulations, adding five further elements to the list and applying, for the first time, its version of the Foreign Direct Product Rule — the same mechanism the U.S. has long used against China in semiconductors. On 30 October, at the Busan meeting, Beijing agreed to suspend for one year the new October round, in exchange for the suspension of the U.S. 50% affiliate rule. The April controls, however, remain in force. The truce is partial, and the market knows it. 


In that window, Washington moved. It struck supply and investment deals with Australia, Ukraine, Japan, Malaysia and Cambodia. The U.S. Development Finance Corporation began backing mining operations on Brazilian soil — Serra Verde itself signed, in February 2026, a US$ 565 million financing agreement with Washington, two months before the acquisition offer. 


This is where the question has to enter the Brazilian debate. Because, without it, we are merely choosing whom to export raw material to. 


The economic layer: where the value actually sits.

The rare earths chain is, in basic economic terms, a textbook on how value distributes itself unequally between those who dig and those who transform. 


Sector analyses converge on a clear order of magnitude: mining captures 10% to 20% of the chain’s total value. Chemical separation and refining take 40% to 50%. Permanent magnet production and final applications absorb the remaining 30% to 40%. 


Prices confirm the rest. According to estimates presented at events of the Brazilian Mining Institute (IBRAM), mixed concentrate — what Brazil exports — sells for around US$ 10 per kilo. Separated oxides fetch between US$ 50 and US$ 200 per kilo, depending on the element. High-performance permanent magnets, the chain’s end product, can reach thousands of dollars per kilo. Same geological substance, five different products, prices spanning three orders of magnitude. 


Brazil sits at the bottom of that scale. Serra Verde, with nominal capacity of 5,000 tonnes per year of rare earth oxides, shipped its output for refining in Asia — predominantly in China, which controls most of the global separation and processing capacity. With the USA Rare Earth deal, that output will feed a U.S. chain under construction. The geography of the buyer changes. The logic does not: value addition continues to happen outside Brazil. 


This is where the question stops being abstract. Exporting concentrate to China or to the United States is not industrial policy — it is choice of client. In either scenario, Brazil continues to capture the least valuable slice of the chain. 


The scientific layer: the knowledge exists — and it is fragmented.

Here lies a point that Brazilian public debate tends to overlook: Brazil already has rare earths science and technology. Has had for decades. The problem is not absence of knowledge — it is absence of continuity. 


The Mineral Technology Centre (CETEM), tied to the Ministry of Science, Technology and Innovation, has developed in continuous pilot scale the technology for separating rare earth elements — precisely the most critical, highest-value-added stage of the chain. Universities like USP and UFSC, and institutions like IPEN, IPT and CDTN, have trained researchers for years. The INCT P.A.T.R.I.A. — Processing and Applications of Rare Earth Magnets for the High-Tech Industry — coordinated by USP between 2018 and 2024, advanced the permanent magnet phase. The INCT MATERIA, approved in 2024, assembles a national network dedicated to advanced rare-earth-based materials. And the MagBras project — From Mine to Magnet, launched in July 2025 with R$ 73 million funded by SENAI and FUNDEP, brings together 28 companies, 7 science and technology institutions and 3 foundations to structure a national permanent magnet production chain.


There is, in other words, a scientific backbone. What is missing is industrial muscle around it. 

And it is missing for a historical reason stretching back at least seventy years. Orquima, a Brazilian company that in the 1950s controlled part of the separation of rare earths and thorium, was hollowed out in an episode denounced at the time by Admiral Álvaro Alberto, then president of Brazil’s National Research Council. Nuclemon — Minérios Monazíticos S.A., a state-owned company created in 1958 and linked to the National Nuclear Energy Commission, came to dominate extraction and part of separation but was shut down in the late 1980s, amid the absence of a consistent industrial policy for the sector. Between 1993 and 1996, INB and IEN created a Solvent Development Unit to recover the lost knowledge.


Three decades later, we are still trying to recover it. 


It is not a shortage of brains. It is a shortage of state. 


The political layer: both sides may miss the target. 

The debate reaches the floor as a binary opposition — regulatory framework with incentives versus state-owned rare earths company. This dichotomy is easier to vote on than reality requires. Because both sides, in the designs we know, may miss the target. 


A regulatory framework that organises fiscal incentives without rigorously conditioning them on processing and industrialisation in Brazilian territory risks financing, with Brazilian tax waivers, primary exports to foreign industrial chains. Incentivising mining without requiring industrialisation is subsidising the least valuable link of the chain. 


A state-owned company focused on extraction and managing reserves, in turn, aims at the wrong point. It would capture precisely the least value-adding segment — the 10% to 20% mining represents. It would tie up public capital where strategic leverage is lowest. And it would reinforce, rather than break, the commodity export logic the proposal claims to combat. A symbolic answer to a structural problem. 


There is also the record Brazil needs to face honestly. The country already has two state-owned bodies tied to mining. The Geological Survey has mapped less than 30% of national territory, according to IBRAM itself. INB has seen its uranium processing capacity stagnate over recent decades. Nuclemon — the state company that actually did rare earth separation — was shut down without replacement. Creating a third without first understanding why the previous two shrank is to swap diagnosis for political gesture. 


The real debate, one Congress has little appetite for, is not “state versus market.” It is harder: Where in the chain can the state make a difference — and what kind of state could

actually do it? 


Four criteria to evaluate whatever emerges from the vote.

Since the rapporteur’s substitute text was not fully disclosed before the vote, any specific evaluation of Bill 2,780’s provisions, in this column, would be speculation. But it is possible — and necessary — to offer readers a ruler of four criteria by which the framework approved today or in coming days may be evaluated. Whatever the outcome, these criteria remain. And they derive directly from the central question: who captures the value? 


First criterion: conditionality of incentives. A framework that grants full depreciation, accelerated amortisation, IPI reductions and access to incentivised debentures without conditioning those benefits on processing, separation or industrialisation in Brazilian territory is, structurally, a subsidy to primary exports. The question to ask is: do the incentives apply only to companies that also operate in the higher-value-added stages? Or do they apply to those who only dig? 


Second criterion: control over strategic operations. With the Serra Verde sale under way, the question is no longer hypothetical. A framework that does not provide clear screening mechanisms for foreign acquisitions of assets considered strategic, that does not condition alienations on national interest, that does not require technology transfer in contracts with foreign capital, is handing decisions over strategic assets to the market. Bill 4,443/2025 in the Senate proposes mechanisms in this direction. How much of that enters the Chamber’s text is one of the measures of the project. 


Third criterion: articulation of real industrial policy. A governance committee and a traceability portal are regulatory structures, not industrial policy. Real industrial policy articulates CETEM, INCTs, SENAI, BNDES, Finep, the Ministry of Science and Technology and the Ministry of Mines and Energy around concrete targets for occupying the higher value links — separation, refining, alloys, magnets. It includes technology procurement contracts, government purchases (wind turbines for electrification, defence equipment) and dedicated budget, not just tax waivers. Does the framework create binding coordination structure, or only create committees? 


Fourth criterion: scientific continuity. The discontinuities that dismantled Orquima in the 1950s, Nuclemon in the 1980s and the Solvent Development Unit in the 1990s shared a common cause: discontinuous public financing, hostage to electoral cycles. A serious framework needs to anchor continuous funding of science and engineering applied to the chain — through protected sectoral funds, long-term contracts with research institutions, multi-year budget guarantees. Without this, any technological progress built today can be abandoned tomorrow, as has happened three times already.


These four criteria are not a political preference. They are the operational translation of the question who captures the value?. A framework that meets all four creates conditions for Brazil to occupy the 80% most valuable portion of the chain. A framework that meets two, one, or none leaves the country where it is: world’s second largest reserve, marginal producer, exporter of raw material dressed in the vocabulary of sovereignty. 


What a smart state would do.

Not an absent state. Not an omnipresent one either. A state that is selective, technically competent and playing a long game. If direct state presence exists, let it be surgical. Strategic equity stakes in specific links of the chain, risk financing for separation plants, coordination of applied research, government procurement for wind turbines and defence. Not necessarily mine operation.

 

The contrast with China is instructive — and uncomfortable. Beijing did not win the rare earths race by accident. It built its position over four decades, combining state planning, continuous research investment, mergers between state and private firms, integration between academia and industry, and explicit industrial policies such as Made in China 2025 and the Five-Year Plans. When Deng Xiaoping said in 1992 that “the Middle East has oil; China has rare earths,” he was not describing geology. He was announcing a national project. 


Brazil has never had an equivalent national project for rare earths. It has had bursts, interruptions, isolated attempts. Science without industry. Deposit without chain. Potential without decision. 


The subtler risk.

The biggest risk right now is not losing the rare earths. It is something more subtle — and, for that reason, more dangerous. 


It is turning the green economy into a new version of old Latin American extractivism. Cleaner in rhetoric. More sophisticated in technology. Identical in the distribution of power. 


Who captures the value today defines who leads the economy tomorrow. Who extracts the mineral gets the land rent. Who separates, refines and industrialises keeps the technology, the skilled jobs, the trade balance and the sovereignty. 


Whatever the outcome of this Wednesday’s vote — passage of Bill 2,780 with the rapporteur’s text, passage with amendments from the appended bills, postponement pressured by the opposition, or parallel advance of Terrabras — the result will only have structural significance if it meets the four criteria above. And if those criteria are not met, the debate will remain open in the weeks, months and years ahead — because the question itself does not go away. 


Brazil is not facing a mining opportunity. It is facing a structural choice about what kind of country it wants to be in the coming decades — whether the supplier of the hour in each new commodity cycle, or a country that, at last, converts natural resources into industrial, technological and geopolitical capacity. 


The difference between these two paths is not in the geology. 

It is in the quality of the state — and in the clarity of the question we choose to ask.

Valéria Monteiro.
Jornalista, fundadora do site valeriamonteiro.com.br
e ex-âncora da TV Globo e Bloomberg.

22 de abril de 2026

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