Marty Supreme.

Uma vitória que não resolve nada.
Há filmes que contam uma história. E há filmes que te colocam dentro de um estado. Marty Supreme pertence claramente à segunda categoria.
Durante quase duas horas e meia, o filme não dá respiro. Não organiza o mundo para o espectador — te arrasta com ele. A sensação é contínua: tensão, improviso, risco. Você não assiste. Você acompanha, quase em descompasso. E talvez seja por isso que a experiência se aproxima tanto daquela expressão certeira: on the edge of my seat.
O desvio de expectativa
À primeira vista, o filme parece prometer uma cinebiografia esportiva, uma narrativa de superação, um arco clássico de ascensão. Mas o que entrega é outra coisa: um retrato de obsessão, uma anatomia do risco, um personagem que não se organiza — e não quer se organizar.
Inspirado na vida de Marty Reisman, o filme não tenta explicar o personagem. Ele preserva algo mais raro: a opacidade.
Ritmo e direção
Sob a direção de Josh Safdie, o filme opera em aceleração constante — cortes rápidos, diálogos sobrepostos, urgência permanente. O tempo parece comprimido, como se uma vida inteira estivesse acontecendo ao mesmo tempo. E isso não é falha. É linguagem.
Timothée Chalamet
Chalamet não interpreta Marty. Ele absorve o personagem. Há algo de instável, quase perigoso, na atuação — um equilíbrio precário entre carisma e autodestruição. Não é o tipo de performance que busca simpatia. Busca presença.
O que fica depois
O mais interessante não está na vitória — está no vazio que vem depois. O filme termina, mas deixa uma pergunta suspensa: o que acontece com alguém que nunca quis pertencer?
Talvez por isso se saia querendo saber mais. Porque o filme não encerra o personagem. Ele o devolve para o mundo — incompleto, como na vida real.
🎬 Ficha técnica
Direção: Josh Safdie
Roteiro: Josh Safdie e Ronald Bronstein
Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Tyler, the Creator
Gênero: Drama esportivo / comédia dramática
Duração: 2h29
Ano: 2025
Trilha sonora: Daniel Lopatin
Baseado em: vida de Marty Reisman
📺 Onde assistir
Disponível no catálogo da Prime Video (assinatura, desde abril de 2026). Também em aluguel e compra digital na Apple TV.
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Marty Supreme
A victory that solves nothing
Some films tell a story. Others trap you inside a state of mind. Marty Supreme is unmistakably the latter.
For nearly two and a half hours, it refuses to settle. It doesn’t organize reality for you — it pulls you into chaos. The experience is continuous: tension, improvisation, risk. You don’t watch it. You endure it — in the best possible way.
The surprise
At first glance, it looks like a sports biopic, a rise-to-glory narrative, a familiar arc. But what it delivers is something else: obsession, instability, a man who refuses structure.
Loosely inspired by Marty Reisman, the film doesn’t explain him. It preserves something rarer — his unknowability.
Direction and rhythm
Directed by Josh Safdie, the film runs at a relentless pace. Time collapses. Events stack. It feels like watching a life unfold all at once — not in sequence, but in pressure.
Timothée Chalamet
Chalamet doesn’t play Marty. He inhabits him. There’s volatility in the performance — a sense that things might fall apart at any moment. It’s not about likability. It’s about presence.
What lingers
The film isn’t about winning. It’s about what remains after winning fails to resolve anything.
And that’s why it stays with you. Because Marty doesn’t conclude. He slips away — just like in real life.

Valéria Monteiro.
Jornalista, fundadora do site valeriamonteiro.com.br
e ex-âncora da TV Globo e Bloomberg.
25 de abr. de 2026
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